Vivemos absortos por padrões herméticos, ecléticos patrões a designar nossas funções segundo o bom grado das monções ... nação despedaçada, gente desesperada.
Nada influi sobre o rumo da embarcação, nada conduz os homens a sua libertação, pois as forças da posição são fortes, tão fortes quanto um furacão a arrastar corpos ... destruição.
Ação e reação rasgam a carne, esfacelam utópicas emoções; transladam a mente para o sempre presente ... ausente ser que não mais sente, ente onipotente a figurar nos quadros de uma exposição permanente.
Verte a fome e a miséria nas verdes terras desta índia, deusa de infinitos frutos e diversos lutos que enegrecem suas artérias, entorpecem as materias pensantes ... um pouco antes da morte silenciosa, surgem vozes para quebrar os grilhões e as correntes, surgem silhuetas a desatar os nós desta densa prisão ... extensa fúria conduz os povos a sua translúcida razão, intensa luta pelos sonhos ... revolução.
Entrelaçam-se mãos na união das forças em comum sensação, em um turbilhão ansioso se vai a massa empurrando as castas contra um paredão rumo à aquilo que fora sua mansão.
Lançam-se tanques sobre pessoas famintas, abrem-se fogos sobre os olhos atônitos, anônimos se curvam frente ao metal mortal, mas o mal é deposto e torna-se oposto, um imposto, um qualquer sem rosto, um esboço.
Esforço infinito, sangue exposto na grama das moradias, seres que surgem diante uma luz, luz a iluminar um novo dia ... despedida
Mar/93
Textos escritos entre 1991 e 1995, um periodo de tempo, vários momentos, sentimentos e outras cositas mas.
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Ave sem ninho à voar pelo céu dos aflitos ... não escutam os teus gritos ... não percebem os teus sentidos ... despedaçam-se os mitos.
Infinitos passos a trilhar caminhos distintos, intrínsecos passamos a voar sem destino ... não atino qual o dever do ser, qual querer me faço pertencer.
Tecer a vida escalando os degraus do dia, esquecer da vida diante a porta da moradia, desfalecer diante a presença de minha menina.
Estabelecer metas como um atleta que busca a sua superação, às máscaras que lhe turvam a visão, páginas em branco tornando-se coração ... emoção de não vencer os teus obstáculos, mas sim transpor o mundo e os seus oráculos.
Abstrato extrato de banco, números e mais números criando uma dependência ... vício lícito imposto pelas finanças e ganâncias ... desde a infância.
(sem data)
Infinitos passos a trilhar caminhos distintos, intrínsecos passamos a voar sem destino ... não atino qual o dever do ser, qual querer me faço pertencer.
Tecer a vida escalando os degraus do dia, esquecer da vida diante a porta da moradia, desfalecer diante a presença de minha menina.
Estabelecer metas como um atleta que busca a sua superação, às máscaras que lhe turvam a visão, páginas em branco tornando-se coração ... emoção de não vencer os teus obstáculos, mas sim transpor o mundo e os seus oráculos.
Abstrato extrato de banco, números e mais números criando uma dependência ... vício lícito imposto pelas finanças e ganâncias ... desde a infância.
(sem data)
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
Deixemos cair por terra as máscaras e as pinturas da face. Sigamos de rosto e espírito limpos rumo ao amanhecer de nossa luta. Não basta sermos apenas os teóricos do amanhã ... alegóricos seres que pendem de cordões manipulados, marionetes de um trágico espetáculo ... oráculo de respostas feitas de plástico.
Tentemos desatar estes nós que nos envolvem os braços, procuremos usar estas fibras para tecer as escadas de nossa fuga. Fuga esta não da realidade, mas sim das letargicas promessas de que um dia tudo muda ... luz do fim do túnel ... túnel de uma infinita travessia.
A rebeldia se esconde em uma ilha, ilha esta cercada por mil armadilhas e masmorras frias. O ser livre é algo incomodo, que denota batalhas e destruição da mesa posta;não é uma aposta nem tampouco um monte de bosta. É mais um momento de expansão, aonde um ser se torna fruto de seu querer ... sem querer alimentar as fornalhas da usina, sem querer perpetuar as maldades da tirania.
Mar/1993
Em meus olhos navega a tua imagem, em meu coração somente transborda a emoção quando encontro tua visão ... paixão diluída nos atos, fluída nos recatos ... nos recantos da solidão.
Falta me faz a linguagem, falta me faz a linhagem, para te alcançar na razão ... vazão de sentimentos proibidos, impedidos pela fraqueza de meu ser.
Queria ser o todo, estar no topo, mas mal sei escalar um morro, um simples tolo ... palavras jogadas, espalhadas por um papel qualquer, não exprimem o que de fato sinto ... omito.
Mito de meus sonhos mais intímos, musa de meus devaneios mais lindos ... queria agora abraçar o teu corpo, navegando pelas curvas de tua cintura, acariciando teu rosto como se fosse uma pintura.
Loucura pura e crua, desnuda criatura em sincera busca, em matéria impura ... lua de uma serenata, rua de um vagar silencioso; meus poros respiram o teu perfume, cheiro cheio de repouso ... descanso das batalhas mentais, fatais escaramuças de uma mente escusa ... reclusa em sua própria loucura.
(sem data)
Sorrio para ti meu maior desafio, meu maior inimigo. Te desafio a também sorrir, a rir deste mundo não limpo ... tu que desafina as cordas da vida, que impregna o ar com teu fétido lamentar.
Escute as alegrias, as verdadeiras alegrias; pois elas destruíram tuas alegorias te pondo frente a frente com as moscas de um verde negrume, o teu cérebro transborda em estrume ... ser sem virtude.
Não me importarei com tuas maledicências, medíocres falências de tua língua ... ingua nascente sobre as axilas de um doente ... dor de dente de incomodo presente, refletes um futuro longínquo a onde teremos vencido a fome dos homens e a ignorância daqueles que devoram estes famintos homens.
Comerás as ervas daninhas que crescem nas esquinas, dormirás nas pedras úmidas das masmorras sem vida ... a ida é a própria vinda, é a inconstante via que nos acessa a uma insana melodia ... luz de um novo dia, dia de um novo conhecer, esquecer da ganância faminta, padecer apenas diante a velhice tranquila.
Sempre sonhamos, sempre imaginamos transformar este mundo em um algo melhor, em alguma coisa pelo qual tenhamos vontade de viver, de amar e mesmo sonhar.
O pouco que queremos representa muito para os manipuladores de pensamento ... sentimentos dispersos, imersos na agonia e no sofrimento; poucos sabem o que de fato é esta tal realidade ... real idade das trevas, escuras e espessas cortinas de merda a vendar olhos famintos, a encobrir os mortos nas rasas valas dos monumentos.
Afinal, a quem interessa esta fome e miséria que assola e devasta nossa terra?
Porque tantos interesses se sobrepõem às necessidades da sociedade?
Respostas ... por mais que tentemos não encontraremos, pois estaremos sempre andando em círculos ... vivemos num imenso circo no qual os atores somos nós mesmos ... os palhaços sem pintura que riem a toa enquanto a lona desaba em chamas ... labaredas insanas a devorar carne humana, a transformar em pó o sonho que sempre sonhamos.
Chega desta alegoria absurda, basta de termos que engolir as fezes das diversas oligarquias, perversas tiranias.
Mar/1993
Por momentos me pego a te olhar, tentando o gosto de teus lábios imaginar ... pelo sabor de teu amor navegar.
É estranho este sentimento não lento, a tomar meus elementos, a destrinchar-me em segmentos. Algo me liga aos teus olhos, algo me transforma em um tolo parado na porta, sem saber se entra ou sai, sem compreender os seus próprios sinais.
Sou um sonhador, um trabalhador que não tem dono ... enquanto durar este meu sonho. Pode ser apenas outra ilusão, outra confusão criada por meu coração, mas como é boa esta sensação ... forte emoção.
Te mando um beijo, assim meio sem jeito. Transporta este beijo um carinho ... carinho.
(sem data)
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